Fabrizio Miccoli passou os últimos dois dias em Portugal, para passar "férias". O avançado do Palermo matou saudades da comida portuguesa e visitou o Estádio da Luz, onde foi ídolo entre 2005 e 2007. O JOGO encontrou-o e ouviu-o confessar que ainda sonha regressar.
O que faz em Portugal?
Vim fazer umas férias de dois dias, pois gosto muito de Lisboa. Fui ao Estádio da Luz matar saudades. Esta semana não há jogos na Serie A e aproveitei para estar com amigos e comer comida portuguesa.
Como estão a correr as coisas no Palermo?
Bem, muito bem. Estou a marcar golos, não tenho tido problemas físicos. E gosto muito de Palermo. É uma cidade bonita, com boas pessoas e o clube é óptimo.
E acabaram-se as lesões, não foi?
Sim, acabaram-se. O trabalho não é muito diferente do que tinha no Benfica. Não sei porquê, mas agora estou muito melhor. Aqui no Benfica estava dois ou três meses lesionado e não podia treinar. Eu tenho um corpo muito particular e tenho problemas se não treinar todos os dias.
Tem falado com antigos colegas do Benfica?
Sim, com o Nuno Gomes, por telefone. Com o Petit também, mas ele agora está no Colónia.
O que dizem eles deste Benfica?
O Nuno está contente, ganhou agora a Taça da Liga. No campeonato estão em terceiro lugar, mas a apenas cinco pontos do Porto. Acho que a Liga se vai resolver apenas nos últimos dois jogos.
O Nuno Gomes termina contrato no fim desta temporada...
Eu acho que ele vai renovar. O Benfica tem de renovar com ele. O Nuno é uma bandeira do Benfica e quer ficar. É muito importante ter uma referência como ele. E depois de terminar o contrato deve ficar como dirigente.
Esperava mais desta equipa?
No campeonato acho que não está nada decidido, mas esperava um pouco mais na Taça UEFA. Eu achava que o Benfica ia ganhar a Taça UEFA!
O Suazo lesionou-se e terminou a época. Acha que ele vai fazer falta?
Acho que sim. Ele é um jogador muito veloz, muito rápido. Mas o Benfica tem muitos avançados, pode jogar bem. Lamento porque o Suazo é bom jogador e boa pessoa e acabou a época desta forma.
E o Miccoli, faz falta?
[Risos] Não sei. Quem tem de dizer são os adeptos e os directores do Benfica. A mim, o Benfica faz-me falta.
Do que é que sente falta no Benfica?
Um pouco de tudo. Do Estádio da Luz, dos adeptos do Benfica, de jogar a Champions League... um pouco de tudo. Uma parte do meu coração ficou aqui em Lisboa.
Ainda vai voltar?
Não sei. Tudo é possível. Gostava, claro.
O que faltou para ficar no Benfica há dois anos?
Essa pergunta não deve ser feita a mim, deve ser feita ao Benfica. Acho que foi por causa do dinheiro, mas não era assim tanto.
É verdade que aceitava baixar o salário para ficar no Benfica?
Eu não ganhava assim tanto! O problema não era o meu salário, o problema era comprar o passe à Juventus. Mas não era muito dinheiro. Agora há aqui jogadores mais caros do que eu. O meu passe custava cinco ou seis milhões de euros.
Esta época esteve perto de voltar?
Cheguei a falar com o Rui Costa. Mas o Palermo não quis deixar-me sair, por nada. O Rui sempre disse que me queria de volta e eu queria voltar, mas o Palermo não deixou.
Tem acompanhado o trabalho de Rui Costa?
Conheço o Rui Costa como jogador, não como director. Mas o Benfica tem uma boa equipa, pelo menos a avaliar pelos nomes, como Aimar, Reyes, Luisão, Nuno Gomes... A equipa é boa.
A equipa de há dois anos era melhor?
Era. Eu gosto muito do Fernando Santos. Com ele, tínhamos sempre a bola. Dos 90 minutos de jogo, 75 ou 80 eram passados no meio-campo adversário. O Benfica tem de jogar assim, porque é a equipa mais importante de Portugal.
Tem pena que aquela equipa não tenha ganho nada?
Ficámos em terceiro, a dois pontos do FC Porto, e nos quartos-de-final da Taça UEFA. Não era fácil jogar as duas competições e tivemos um jogo incrível com o Espanhol: bolas ao poste, à barra, tudo. Um jogo que o Benfica devia ter ganho facilmente por 3-0 ou 4-0.
Quando deixou o Benfica, é verdade que o FC Porto tentou contratá-lo?
Sim, é verdade. Foram a Turim falar com a Juventus para a transferência, mas sempre disse que fora de Itália só jogava no Benfica. Nada mais.